Obra do açoriano Nuno Martins atinge ‘top 10’ do site ‘Amazon’

A obra do economista terceirense Nuno Martins “The Cambridge Revival of Political Economy”, editada pela “Routledge”, está no top 10 dos livros mais vendidos pelo site Amazon, do Reino Unido, na área da economia política.
“The Cambridge Revival of Political Economy” ocupa actualmente o nono lugar de vendas do Amazon.
O livro foi apresentado no início do mês em Cambridge, com bons resultados, segundo avançou o economista, professor na Universidade dos Açores. Segundo Nuno Martins, gerou-se junto dos alunos um debate interessante em torno do rumo que a Economia segue, sobretudo neste contexto de crise. Em entrevista já publicada pelo DI, Nuno Martins explicou as linhas essenciais desta obra: “O livro é sobre a escola de Cambridge, na área da economia, e a forma como essa escola tentou recuperar o pensamento clássico. A meados do século XX, a Universidade de Cambridge tinha uma visão diferente da economia: Que era a ciência da produção e da distribuição do excedente. Era a visão contrária à que se estava a tornar dominante, que assenta na economia como ciência da escassez. Nesta última, através de modelos matemáticos, explicam-se os comportamentos das pessoas. Além disso, como as pessoas nunca estariam satisfeitas, estaríamos sempre em escassez. Tudo é escasso. Esta é a teoria actual”.
A teoria clássica colide com a actualmente aplicada. “O que os autores da escola clássica tentaram fazer nascer na Universidade de Cambridge naquele tempo foi a ideia de que o ser humano é uma criatura de hábitos, influenciada pela sociedade, pelas instituições, etc. O que consome está num determinado nível, para satisfazer determinadas necessidades”, adiantou.
“O ser humano fica satisfeito com um determinado nível e, a partir daí, vem o excedente. Esse excedente pode ser usado para redistribuir, para actividades produtivas, ou então para consumo de luxo ou especulação. A grande ideia deles era que as sociedades, quando passassem a usar esse excedente para o consumo de luxo e especulação, por parte daqueles que são o caso raro, que querem sempre mais, entrava em decadência”, prosseguiu.
Para Nuno Martins, a forma como a actual crise tem sido encarada está errada. “Por exemplo, se o Estado português fosse financiado à taxa de juro que é aplicada aos bancos comerciais e não à taxa de juro da Troika poupavam-se logo uns milhares de milhões de euros. Só isso dispensaria a maior parte da austeridade. Além disso, é preciso termos uma política europeia que perceba que o excedente não pode estar só em determinados países, porque tivemos uma política que pagou para uns países pararem de produzir, enquanto equipava outros para determinados mercados com os quais se estavam a fazer acordos comerciais”, considerou, na mesma entrevista.
O regresso a uma outra visão da Economia parece estar a despertar curiosidade... Pelo menos no Amazon. DI/CA